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Em Don’t Make Me Think, Steve Krug mostra que a maioria dos designers projeta sites sob a premissa de que os usuários vão ponderar sobre cada parágrafo de texto cuidadosamente elaborado. Na realidade, o comportamento do usuário médio assemelha-se ao de um tubarão que precisa continuar se movendo para sobreviver. Eles não leem, eles escaneiam em busca de gatilhos visuais que correspondam à sua missão imediata. Como os visitantes estão sempre com pressa e sabem que não precisam ler tudo, eles ignoram grandes blocos de conteúdo e focam apenas no que brilha ou parece clicável. Projetar para a web, portanto, não é criar um folheto informativo, mas sim um outdoor que deve ser compreendido por alguém dirigindo a 96 quilômetros por hora.
Nós não lemos páginas. Nós as escaneamos.
02
Cada elemento de uma interface que não é imediatamente óbvio gera ruído mental ou pontos de interrogação sobre a cabeça do usuário. Perguntas como "Onde começo?", "Isso é um anúncio ou parte do site?" ou "Por que chamaram isso assim?" drenam o reservatório de energia e paciência do visitante. Esses atritos cognitivos, por menores que sejam, acumulam-se e corroem a confiança na competência da organização que construiu o site. Quando o esforço para entender como usar a ferramenta supera o benefício de realizar a tarefa, o usuário simplesmente desiste, pois a concorrência está sempre a apenas um clique de distância.
Sinais
Cada ponto de interrogação adiciona à nossa carga de trabalho cognitiva, distraindo nossa atenção da tarefa em mãos.
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A lente que reorganiza todo o problema do design é o princípio de Krug: não me faça pensar. Isso significa que, tanto quanto for humanamente possível, cada página deve ser autoevidente e óbvia. A usabilidade não é sobre uma lista de fazer e não fazer, mas sobre o objetivo de que um vizinho que mal sabe usar o botão voltar consiga olhar para sua página inicial e dizer exatamente do que se trata o site. Se algo é original ou complexo demais para ser autoevidente, ele deve ser, no mínimo, autoexplicativo, exigindo apenas um mínimo de reflexão para ser compreendido quase sem esforço.
A usabilidade é o silêncio da interface.
Se você tem espaço na sua cabeça para apenas uma regra de usabilidade, faça desta a escolhida.
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Conceito-chave
Design de Outdoors 101.
Modelo
Uso de padrões familiares, como o logo no topo para identificação e a lupa para busca, para que o usuário não precise aprender tudo de novo.
Proeminência visual do que é importante, usando tamanho e cor para processar a página antes que o usuário leia uma palavra.
Divisão da página em zonas claras para que o cérebro possa decidir instantaneamente o que focar e o que ignorar.
Eliminação de qualquer elemento que não contribua para a solução, partindo da premissa de que tudo é culpado até que se prove o contrário.
Inove quando você souber que tem uma ideia melhor, mas aproveite as convenções quando não tiver.
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Objeção→Resposta
Caso
Krug observa que em testes de usabilidade, os participantes muitas vezes ignoram menus de navegação sofisticados para clicar em links genéricos como "Coisas Baratas", provando que o instinto e a pressa governam a navegação mais do que a lógica do designer.
As people don’t make optimal choices. They make sufficient choices (As pessoas não fazem escolhas ideais. Elas fazem escolhas suficientes).
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Krug propõe que a única forma de garantir a usabilidade é tirar a equipe da bolha e observar pessoas reais usando o produto. Ele desmistifica o teste de usabilidade, que antes era um processo científico caro e lento, transformando-o em uma atividade de faça você mesmo simplificada. A prática consiste em observar três usuários por uma manhã a cada mês, focando exclusivamente nos problemas mais graves que saltam aos olhos de qualquer um. O objetivo não é coletar estatísticas, mas obter insights acionáveis que permitam consertar o que está quebrado antes que a próxima rodada de testes ocorra.
Etapas
Testar um usuário é 100 por cento melhor do que testar nenhum.
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No encerramento da narrativa, Krug eleva a usabilidade de uma técnica de design para uma questão de ética e respeito humano. Ele introduz o conceito do reservatório de boa vontade (glosa: a reserva de paciência e confiança que um usuário tem ao entrar em um site), que é esvaziado a cada erro, formulário desnecessário ou informação escondida. Consertar a usabilidade é agir como um Mensch (glosa: pessoa de integridade e honra), garantindo que a jornada do usuário seja livre de frustrações evitáveis. Krug conclui que, embora a tecnologia mude em ciclos rápidos, a capacidade do cérebro humano permanece a mesma, o que torna as leis da usabilidade verdades duradouras e atemporais.
Risco
Tratar a clareza como um detalhe opcional é o caminho mais rápido para esvaziar a paciência do seu público e transformar usuários em detratores permanentes da sua marca.
A usabilidade é sobre pessoas e como elas entendem e usam as coisas, não sobre tecnologia.
Encerramento
Vale conferir no livro
O leitor encontrará orientações fundamentais sobre os desafios específicos do design móvel, como a tirania do espaço minúsculo e a perda do efeito de hover (glosa: quando o cursor muda de forma ao passar sobre um link) em telas de toque. O livro também dedica espaço crítico à acessibilidade, argumentando que tornar sites acessíveis é profundamente a coisa certa a se fazer e oferecendo dicas simples para implementar melhorias sem comprometer o design. Vale ainda explorar os capítulos sobre a psicologia das escolhas sem mente e como estruturar uma página inicial que responda às cinco perguntas essenciais de todo visitante.
Transforme seu site em um lugar onde as pessoas se sintam inteligentes e compre agora o guia que provou que menos é, de fato, muito mais.